- 14 de dezembro de 2017

Higiene tecnológica

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Sabonetes, xampus, desodorantes, cremes dentais e dezenas de outros artigos que compõem o atendimento de uma necessidade imperiosa no mundo civilizado precisam de uma reciclagem profunda. Não se trata de modificações circunstanciais, aparentes ou superficiais. Estamos advogando mudanças estruturais desde a criação até o acabamento final.

A população de VIPPES vai continuar aumentando sua participação no conjunto demográfico em todo este século e será mais da metade no planeta.

Se pensarmos uma população global de sete bilhões de indivíduos, quase quatro bilhões terão cinquenta anos para cima.

No Brasil, já considerando a diminuição populacional a partir de 2042, entraremos no século XXII com menos de duzentos milhões de habitantes e mais de cento e dez milhões de VIPPES.

Não adianta querer reverter o processo de envelhecimento populacional. Apenas em 2015, o Brasil cresceu a sua população de VIPPES em 1.250.038 indivíduos. Já a população total aumentou 1.630.000. Os VIPPES representaram na prática 77% do aumento total.

Com esses valores, em 31/12/2015 a participação dos VIPPES no total da população, passou para 22,488% (era 22,057 em 31/12/2014). Até 2020 superará um quarto da população brasileira.

Alguém poderá questionar como desenvolver, por exemplo, uma simples pasta dental para VIPPES. Ninguém conseguirá aperfeiçoar qualquer coisa se não conhecer detalhadamente o perfil e as necessidades dos potenciais usuários.

Vamos avaliar alguns fatos importantes no perfil dos VIPPES (não há pesquisas e estatísticas adequadas para os números, principalmente no que diz respeito às faixas etárias VIPPES). Confirma-se, porém, que as faixas de idade mais avançada crescerão mais do que as demais.

1- Dentição

– parte dos VIPPES usa dentaduras fixas ou móveis,

– outra parte tem implantes (em aumento),

– muitos têm dentição parcial,

– outros não possuem dentes.

2- Doenças

– parte tem problemas causados por ação de medicamentos,

– outros apresentam dificuldades na mastigação,

– muitos necessitam de recursos externos auxiliares na mastigação e na deglutição.

3- Dificuldades funcionais

– artrite e artrose dificultam uso das mãos e dos braços para a operação de escovação,

– problemas funcionais diversos tornam espinhoso o trabalho para abrir caixas, vidros,

tubos e quaisquer outras embalagens,

– dificuldades visuais tais como mácula, catarata e outras dificultam/impedem correta

Identificação,

– visual de marcas, cores, recomendações e avisos em embalagens.

4- Dificuldades financeiras

– Conforme a distribuição da riqueza em classes econômicas, 41% dos brasileiros.

estão na classe D/E, portanto com poucos ou nenhum recurso financeiro. E parte dos

membros da classe C também não contam com folga em seus orçamentos. Entretanto

o envelhecimento populacional também os atinge.

Aí está o perfil de milhões de usuários potenciais para produtos de higiene/cuidado pessoal.

A criação adequada de produtos conforme o perfil estimativo apresentado exige uma abstração do que existe atualmente. Entende-se que antes do processo veloz do envelhecimento populacional não era rentável investir capital em uma linha que atenderia parcela não expressiva da sociedade em termos de volume.

Agora e daqui para frente, a situação muda sensivelmente e o mercado se torna interessante, significativo e principalmente indispensável para qualquer empresa comercial que queira ter sucesso. Antes também não havia a tecnologia fantástica que pode utilizar a eletrônica com seus chips e nano sensores e, portanto, colocar no mercado ideias que só a ficção científica registrou. Por exemplo, um tubo dentifrício que regula o volume do creme dental e que funciona com um comando de voz personalizado.

Parece impossível? Qualquer mediano entendido em eletrônica e informática afirmará que além de ser viável ainda pode servir para dezenas de outros produtos de utilização parcelada.

Outro exemplo poderia ser um esterilizador de ar com operação de limpeza, oxigenação e esterilização programada e personalizada conforme as condições específicas dos problemas respiratórios do usuário em particular.

Ainda um último exemplo: as orientações descritivas dos produtos e seu uso poderiam contar com informações impressas, faladas, visuais ou o conjunto de todas.

Em apenas um dia, o mercado brasileiro dos VIPPES cresce mais de 4.100 indivíduos e já no primeiro mês de 2016 aumentará em quase 130 mil.

Marilza M. Sanctis

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