- 22 de outubro de 2017

Alpinismo doméstico

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Foto: ReproduçãoNo mês passado este articulista precisou executar uma reforma meio emergencial em um quarto de casal. Era conveniente substituir completamente todos os móveis antigos.

A busca de fornecedores tornou-se imprescindível e a Internet, o mais moderno e prático guia de empresas, serviços e produtos, foi o caminho mais rápido para tentar resolver a necessidade.

Informada a idade do casal (acima de 70 anos) chegaram os projetos para fabricação, montagem e instalação dos móveis.

Nenhuma das empresas apresentou soluções adequadas para um casal idoso. Nenhuma alternativa para facilitar a vida de pessoas com mais idade e menos altura, força muscular deficiente, osteoporose e algumas dificuldades de mobilidade em razão de artroses nos joelhos, por exemplo.

Os desenhos do mobiliário serviriam para jovens recém-casados e para todo o público de faixa etária abaixo dos cinquenta. Só não serviriam “adequadamente” para VIPPES.
Em alguns dos projetos para um quarto com altura de 3,20 metros, faltava um manual de alpinismo porque seria impossível para minha esposa e eu alcançarmos as prateleiras. Escadas não faziam parte dos acessórios e se fizessem, provavelmente viriam acompanhadas de uma rampa eletrônica, um Tarzan biônico ou uma grua.

Já na parte inferior era impraticável abaixar para guardar ou pegar alguma coisa. Só um contorcionista poderia se esgueirar para abrir as gavetas. Para quem tem problemas de artrose nos joelhos, pinçamentos na coluna vertebral e tonturas ao se abaixar, os móveis seriam inalcançáveis. Quanto ao cabideiro, todas as empresas mostraram fotos e desenhos parecidos e os cabides elevados a 1,80 metros. Novamente os padrões não eram para a altura média da população e muito menos para idosos.

Parece que essas empresas não sabem que com a idade, todas as pessoas registram diminuição de altura por várias razões lógicas da degeneração celular além do resultado de traumas sofridos durante toda a vida. Quanto às portas, algumas empresas apresentaram modelos “de correr” com fácil deslizamento e pouco peso; outras já trabalhavam com portas pesadas e exigindo também força muscular para movimentá-las.

A solução racional foi contratar um marceneiro e encomendar o mobiliário conforme as possibilidades para uso. Mesmo assim, também o marceneiro não estava habilitado para compreender o problema da idade e após algumas divergências finalmente chegamos a um entendimento do “porquê” das sugestões.

Essas constatações foram feitas apenas nos móveis do quarto do casal e ficamos imaginando o que deve acontecer também com os demais móveis de uma casa ou apartamento completo com cozinha, banheiros, sala de estar, sala de jantar e área de serviços.

Vai haver um momento na vida dessas empresas em que terão de atender os aspectos específicos da nova faixa etária que vai dominar a sociedade. Para muitas, será tarde demais, pois serão esmagadas pelas de visão menos míope.

Wolfgang K.L.

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