- 22 de outubro de 2017

Brasil caminha para o caos

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Foto: ReproduçãoA análise fria da demografia etária brasileira projeta uma ameaça social tenebrosa e quase impossível de ser evitada. Não são os demógrafos e gerontólogos que terão os poderes necessários imprescindíveis para uma tentativa desesperada de tentar evitar o desastre. Nem os militares resolverão o problema mesmo que promovendo o funeral da democracia.

Quem então poderia ou deveria arregaçar as mangas e lutar pela sobrevivência da Pátria?

A classe política!

Ainda que pareça uma anedota de mau gosto confiar nessa classe, o assunto é grave demais para se tornar apenas uma nova piada. Os poderes Executivo e Legislativo estão nas mãos de políticos. O Judiciário cumpre as determinações legais. Portanto, cabe aos representantes eleitos pelo povo em cada canto do País, tomar as medidas drásticas para mudar o cenário futuro.

E qual é o cenário futuro? Onde está o caos?

O envelhecimento populacional aumenta significativamente a quantidade de pessoas com maior possibilidade de apresentar doenças crônicas. É parte da velhice o desgaste físico e maior dificuldade de regeneração de órgãos e recuperação de determinadas funções orgânicas.

No Brasil de 2015 com 45 milhões de pessoas de 50 anos em diante, identifica-se a ocorrência de determinadas doenças crônicas nessa faixa etária, conforme dados da pesquisa de saúde do IBGE de 2013.

Avançando no tempo e mantendo os mesmos índices de participação dessas doenças de 2020 a 2060, o Brasil apresentará um aumento na quantidade de VIPPES bem acima do crescimento dos recursos médicos humanos. Como no presente já há uma deficiência intolerável no atendimento de pacientes, o futuro muito próximo reflete apenas um agravamento na situação.

Infelizmente a população de menor renda sofrerá mais o impacto do “desatendimento”, mas a própria classe média não conseguirá obter atenção adequada. Para os mais abastados, as fronteiras internacionais não são barreiras e tratamentos no Exterior serão rotineiros.

O problema criará uma cadeia de dificuldades porque não haverá quantidade mínima de servidores para cuidar e tratar dos pacientes já que a população encolherá a partir de 2042 e os jovens estarão ocupados em atividades mais vantajosas financeiramente. A crise na saúde pública mergulhará em um poço sem fundo.
Projetos radicais poderão surgir inclusive na liberação da eutanásia, suicídio assistido e mesmo incentivos para a morte antecipada.

Não é nenhuma fantasia assustadora, apenas a indesejável realidade. O sofrimento sem solução norteará as decisões sociais para uma lógica preservação prioritária da sociedade menos envelhecida e mais produtiva que deverá sustentar a maioria inativa e em parte doente.

Eis o quadro sombrio de algumas doenças crônicas:
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Verifica-se que em apenas 5 anos (2015 para 2020), haverá 1.730 mil VIPPES a mais com as quatro (entre cerca de uma dezena) patologias. Só para essa faixa adicional de pacientes haveria necessidade de 3.460 geriatras (um para cada 500 pacientes), quando o déficit atual já é de cerca de 15.000 profissionais (e são necessários mais de 10 anos de formação de um especialista).
Não há nenhum “Mandrake” capaz de realizar mágica para tal insuficiência ser eliminada ainda neste século.

Políticos precisam agir agora para tentar minimizar o quadro aterrador que começou a ser pintado a partir da virada do século XX para este. Além do problema dramático da situação da saúde ainda há que se preocupar com a segurança nacional em face da redução da densidade demográfica a partir de 2042.

Outras nações continuarão a crescer e o imenso território brasileiro se tornará menos inexpugnável, pois não teremos estrutura econômica e tecnológica para guardar as nossas fronteiras.

O Congresso Nacional com bancada numerosa de parlamentares, assessores, servidores e técnicos pode organizar comissões específicas para o estudo e análise de todas as consequências do envelhecimento populacional. Deverá chamar especialistas para colaborar e finalmente apresentar projetos que proporcionem melhor adequação do País ao fenômeno demográfico inédito.

Todos os ocupantes eleitos para cargos nas esferas executivas – presidente da República, Governadores e Prefeitos – e legislativas – senadores, deputados federais, deputados estaduais e vereadores – deveriam obrigatoriamente participar de workshops com especialistas para informação e atualização sobre o tema no Brasil e no mundo.

Só há um aspecto negativo insuperável: estamos muito atrasados na tomada de providências para impedir a provável extinção da Nação, mas talvez ainda dê tempo para o encontro de alguma alternativa para a sobrevivência parcial.

G. Hansen Jr.

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