- 22 de outubro de 2017

Video-cassetadas terapêuticas

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Foto: ReproduçãoComo formidáveis tombos, quedas e trombadas podem ser terapêuticas?

Em primeiro lugar, vamos separar as vídeo-cassetadas que envolvem VIPPES das demais. Quando uma criança provoca um acidente, certamente, acontece porque ela não tinha noção das consequências de sua ação. No caso de jovens, sempre há a ideia de que não existe barreira nenhuma que ele não possa superar. Arrisca certo de que vencerá e o acidente, apesar de não desejado, é consequência das possibilidades negativas subdimensionadas.

Quando os acidentes acontecem com pessoal adulto de idade inferior a cinquenta anos, efetivamente temos acidentes não previstos em avaliação lógica ou então resultado da ingestão de drogas ou bebidas. A verdade é que a maior parte dos “acidentes” observados nas vídeo-cassetadas é originária de avaliações não realizadas ou mal realizadas. Um balanço com duas pessoas de mais de cem quilos cada, apresenta grande possibilidade de quebra; dançar ou fazer ginástica em uma pequena sala pode propiciar tombos e quebra de móveis e utensílios, e assim por diante.

Quando se trata, porém, de VIPPES, a situação muda completamente.

Na maioria das vídeo-cassetadas que envolvem VIPPES, os “acidentes” têm uma explicação lógica e poderiam ser evitados. Na verdade, denominá-los acidentes é um erro; melhor seria considerá-los como “imprudências”, “ausência de bom senso” ou simplesmente “besteiras”.

É possível, por exemplo, observar que um VIPPES decide subir em uma mesa para dançar ou fazer um discurso. A partir dos cinquenta anos, subir em uma mesa ou em qualquer móvel, exige condicionamento físico. O organismo não está mais preparado para essa ação. Músculos, nervos e talvez até os ossos não estejam em condições adequadas.

A queda é previsível.

Em outra vídeo-cassetada, um VIPPES sobe em um patinete. Nova possibilidade de queda. Depois dos cinquenta anos, a audição e a visão perdem qualidade e em certos tipos de ação, a resposta desses órgãos é mais lenta. O equilíbrio também é menos atingido porque fatores diversos o impedem: deficiência na articulação dos joelhos; coluna com início de artrose; músculos não habituados a exigências maiores.

Nova vídeo-cassetada mostra um VIPPES carregando uma criança, tentando “escalar” uma pequena rampa no jardim; acaba não conseguindo e desaba estrepitosamente ainda segurando a criança. Nesse caso é fácil definir a ausência de várias condições básicas para o sucesso do objetivo: capacidade muscular, equilíbrio na mudança do peso acrescido pela criança e menor capacidade respiratória para um esforço maior.

Por que acontecem tais acidentes? Será que os VIPPES vítimas deles não souberam avaliar antecipadamente as possibilidades de sucesso?

O que acontece é que boa parte dos VIPPES não imagina que suas condições físicas não são as mesmas de alguns anos atrás. É ausência de conhecimento de suas limitações naturais, próprias da idade. Naturalmente nem todos estarão nas mesmas condições. Aqueles que sempre praticaram exercícios e que ainda praticam, terão menos problemas e correrão menos riscos; os que não o fazem, não poderão imitar os que fazem. É impossível e isto tem que ser entendido e aceito.

As vídeo-cassetadas podem ser terapêuticas se forem utilizadas como comprovações reais das consequências não observadas das limitações causadas pela idade. Deveriam ser utilizadas em cursos, aulas e esclarecimento geral em campanhas sobre medicina geriátrica.

Em muitas vídeo-cassetadas é possível identificar VIPPES que tomam remédios para pressão, obesidade, distúrbios gerais e que apresentam efeitos colaterais temporários que impedem a realização de algumas ações. Os acidentes acabam sendo consequência da ignorância dos efeitos colaterais dos medicamentos.

E o que é pior é que certas quedas acabam criando problemas de saúde mais graves que aqueles que originaram a tomada dos medicamentos. As estatísticas apresentam alto índice de mortalidade para VIPPES a partir de setenta anos que sofrem tombos, alguns dos quais causados por ações arriscadas. Arriscadas porque não poderiam ser realizadas por aqueles que tomam medicamentos para problemas de saúde comuns na idade.

Torquato Morelli

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