- 22 de outubro de 2017

Reciclagem

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foto: reproduçãoNão há nenhuma possibilidade do Brasil se sustentar economicamente sem a força de trabalho dos VIPPES. Independentemente de qualquer cálculo previdenciário, basta avaliar alguns dados demográficos para se enxergar a realidade atual que já está na segunda marcha (comparando com automóvel) no caminho da demografia etária do envelhecimento.
O crescimento vertiginoso da população de VIPPES contrapõe-se à redução do aumento populacional geral consequência da forte baixa na fecundidade/natalidade. O avanço dos recursos diagnósticos e da medicina em geral promoveu melhoria da saúde e o aumento da esperança de vida.

(Fonte: Projeção da População do Brasil por Idade e Sexo 2000/2060 – Revisão 2013)

Foto: PortalVippes

Com a queda da reposição de população, a solução econômica é a extensão na idade de aposentadoria. É pura lógica. Com aprovação tempestiva ou não no aumento da aposentadoria, milhões de VIPPES precisam continuar trabalhando para seu próprio bem e para a estabilidade econômico-social do País. Parte dessa massa potencialmente produtiva, entretanto, não está preparada para o novo mundo tecnológico e de relações humanas.

A reciclagem ou reeducação profissional se torna alavanca principal para o preenchimento de vagas antes não pensadas para pessoas de mais de 50 anos. Não basta ter uma chance de emprego: é preciso competência ou qualificação mínima para o cargo. Há poucos anos atrás, nem com diplomas ou grande experiência, VIPPES permaneciam no mercado de trabalho ou se recolocavam, pois eram “cartas fora do baralho” ou “candidatos pé-na-cova”.

Agora já começam a se tornar imprescindíveis em certas atividades e muitas outras mostram tendência similar.

Como fazer a reeducação? Quando? Onde?

Empreendedores nesse campo precisarão pesquisar as respostas porque o desafio é inédito. Naturalmente, parte dos VIPPES não terá condições para o exercício de determinadas atividades onde a exigência principal é a condição física, mas, fora esse ângulo, eles estão prontos para encarar novos setores de trabalho.

Nem todos serão consultores de negócios, entretanto, poderão auxiliar muito em razão de muita experiência em relacionamentos e tarefas onde a paciência, a calma e a razão são fundamentais.

Os próprios VIPPES poderão participar ativamente na preparação de colegas etários na reeducação para o exercício de atividades para as quais VIPPES de idade mais avançada não se tornam conveniente.

Atualmente existem alguns cursos que preparam VIPPES para tarefas como Porteiros de Edifícios residenciais ou comerciais. É um caminho, mas o potencial latente em milhões de VIPPES amplia o leque de funções de variados graus de complexidade. Sempre que um fenômeno inédito na sociedade se torna parte inseparável dela, a própria sociedade precisa se adaptar a ele e quanto mais rápido ela compreender a sua estrutura, melhores estratégias e técnicas surgirão para aproveitá-lo como grande oportunidade de desenvolvimento.

A reeducação profissional dos VIPPES bem estudada, pesquisada e planejada fará a diferença. Mas o tempo é escasso para evitar que a oportunidade se transforme em uma grande desorganização social.

J. Mark Torrence

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