- 22 de novembro de 2017

Empregos qualificados

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Um dos grandes desafios da nova sociedade envelhecida será a disponibilidade de vagas de empregos para VIPPES. Muitos consideram que os jovens deveriam ter preferência. Também é verdade.

transicao_etaria_mais_empregosA simples opinião de dar preferência a jovens ou a VIPPES no preenchimento de vagas, demonstra uma impressionante limitação de análise e criatividade.

É preciso, inicialmente, selecionar dimensões diferentes de questões a resolver. Se tentarmos solucionar de acordo com os padrões etários de alguns anos atrás, não teremos referência válida. Há imperiosa necessidade de identificar a nova composição etária e aí começar a entender a nova sociedade que se estabelece.

Ainda nesse primeiro aspecto, é importante a noção de que o envelhecimento populacional é dinâmico e, portanto, todas as decisões não podem ser tomadas com visão e vigência de curto prazo.

Talvez não seja possível imaginar a real intensidade das mudanças em espaço de tempo muito longo, mas essa dificuldade pode ser minimizada se as decisões apresentarem alguma flexibilidade para adaptações justificáveis.

Por outro lado, não há como mudar o determinismo da transição etária. Continuará a haver nos próximos 50 anos – pelo menos – uma redução substancial de jovens e uma expansão gigantesca de pessoas de mais de 50 anos que serão metade da população do País até 2060 e mais ainda nos anos seguintes. Basta esta previsão para indicar a importância dos VIPPES no sistema econômico-financeiro do País. Não há como deixá-los de lado ou a produção cairá desastradamente.

Um novo ângulo de análise é a capacidade de jovens e de VIPPES.

Os VIPPES não apresentarão condições de aproveitamento em atividades que exijam condições físicas que só os jovens têm.

Todas as funções e tarefas que envolvam capacidade física excelente, – muscular, visual, auditiva ou geral – não poderão e não deverão ser entregues a VIPPES. Na prática, homens e mulheres começam a apresentar normais dificuldades físicas, leves principalmente, a partir dos 45/50 anos.

Boa parte dos cargos disponíveis na indústria, no comércio e nos serviços exige condição física só encontrada nos jovens e adultos jovens. Nesses casos, não haverá nenhuma concorrência com VIPPES que estarão sem chances de aproveitamento.

Com a redução da quantidade de jovens, muitos desses cargos deverão ter remuneração aumentada. Apesar de não desejado, é um benefício à juventude criado pelo envelhecimento populacional.

Para os VIPPES novos cargos começam a surgir. Não são funções que eram exercidas por jovens, mas novas tarefas que advêm da transição etária. Entre elas está uma atividade que era praticada em escala pequena e com informalidade: o cuidador de idoso.

Com o envelhecimento populacional, a quantidade de idosos cresce exponencialmente. Como simultaneamente diminui a quantidade de jovens que se tornam necessários em empregos com essa exigência, a nova tarefa de cuidador de idoso terá que ser exercida também por idoso. Aqui, o campo se torna imenso e a remuneração deverá ser convidativa.

Além do cargo de cuidador, os VIPPES terão necessidade de profissionais qualificados e especializados. Terapeutas, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas em volume crescente comporão cargos em que VIPPES serão preferenciais em razão da maior experiência e conhecimento próprio das características dos pacientes. Esses cargos não são indicados para jovens e, portanto, não estão tirando o lugar deles. São funções que se avolumam porque há um envelhecimento populacional e se não houvesse, elas apresentariam números bem modestos.

Vale lembrar que, na manutenção da saúde, VIPPES precisarão de profissionais competentes para tocar a vida em todos os aspectos. Advogados, consultores econômicos e financeiros, administradores e técnicos terão que atender milhões de VIPPES. Boa parte desses profissionais serão VIPPES também porque não haverá reposição de jovens para todas as atividades.

O envelhecimento populacional terá como identificação social inédita, o pleno emprego e depois a falta de mão de obra com a conseqüente abertura de vagas para preenchimento por imigrantes.

Portanto, ao contrário do que está sendo alardeado aos quatro cantos do País, não haverá nenhuma “guerra” intergeracional por causa de emprego. Haverá sobras de vagas em todas as atividades e os candidatos, jovens ou VIPPES, estarão em melhor posição de negociação.

Com todas as dificuldades atuais, registra-se mês a mês recordes nas taxas de desemprego no Brasil. Já estamos próximos de ficarmos abaixo dos 5%, índice nunca atingido. Já é um dos efeitos do fenômeno social de maior impacto deste século, o envelhecimento populacional.

Torquato Morelli

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