- 15 de dezembro de 2017

Cassinos etários

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Cassinos no estilo Las Vegas são cópias dessas monumentais casas de jogos de azar de todos os tipos – máquinas caça-níqueis, baralhos sobre o feltro verde para o pôquer e fichas empilhadas para a mesa de bacará.

Para o primeiro-ministro (cargo mais importante no país depois do Imperador) Shinzo Abe, asilos para idosos inspirados no ambiente de cassinos podem ser um dos pilares para reanimar a economia do país. Como? Trata-se, na verdade, de um plano audacioso em um país onde os jogos de azar são proibidos, portanto, ilegais.

Como explicar então a criação de “casas de apostas exclusivamente para VIPPES”?

O plano cria, além do ambiente mais agradável para os VIPPES, ocupação profissional para cerca de 1% dos 10 milhões de japoneses com idade superior a 80 anos e que não teriam qualquer atividade a não ser cuidar de parentes e amigos idosos ainda mais frágeis -100 mil VIPPES trabalhadores por ano.

O próprio Abe prometeu reduzir esse número a zero até 2020. De acordo com os proprietários de um dos cassinos em operação – o Las Vegas Tsuzuki – as possibilidades de alcançar a meta serão melhores, se os serviços de asilo forem efetivamente atraentes para os VIPPES.

Quanto aos empreendedores, nos últimos 12 meses, 60 cassinos desse tipo entraram em operação no Japão (outubro/2015). A ideia é uma ação potencialmente lucrativa e se espera que provoque um aumento de consumo no setor VIPPES. Ela conta com disponíveis e polpudos subsídios do governo para serviços de asilos e creches.

Como no Japão os jogos de azar são ilegais, nesses novos cassinos criou-se uma falsa moeda que só pode ser “convertida” por meio de exercícios físicos. Estes se baseiam em um esquema de aquecimento conhecido como “alongamento Vegas”, ao som de canções de Lady Gaga, mas adaptado a apostadores VIPPES que se movem hesitantemente ou mesmo em equipamentos como cadeiras de rodas.

O incentivo não é dinheiro, mas em um prêmio virtual que exalta a honra de conquistar a taça de “campeão do dia”. Os VIPPES passam por verificações de temperatura e pressão sanguínea antes de iniciarem a participação na jogatina. “O fato é que há um número crescente de idosos. Se eles ficam em casa sozinhos, pioram, e a carga para o país aumenta”, diz Kaoru Mori, dono de dez desses Asilos-cassinos “etários”. Com o aprofundamento da crise demográfica, o número de asilos para idosos já passa de 40 mil. Mori relata que a maioria deles oferece atividades muito infantis. “Eles são adultos e preferem atividades mais estimulantes”.

Ainda não há unanimidade na adoção dessa nova classe de estabelecimentos. É o caso, por exemplo, da cidade de Kobe, em que o governo local que subsidia significativamente os serviços de apoio a VIPPES, não vê com bons olhos a utilização efetiva de jogos de azar.

G.Hansen Jr. (baseado em tradução de Paulo Migliacci)

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